Natação na infância pode melhorar desempenho escolar, aponta estudo
- 30 de outubro de 2026
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Aprender a nadar desde cedo pode trazer benefícios que vão muito além da segurança na água e da saúde física. Uma pesquisa realizada na Austrália sugere que crianças que começam a praticar natação ainda pequenas podem apresentar melhor desempenho escolar, maior desenvolvimento cognitivo e habilidades sociais mais avançadas.
O estudo, desenvolvido ao longo de quatro anos, contou com a participação de quase 7 mil pessoas e incluiu a avaliação individual de 177 crianças. Os resultados indicaram que aquelas que frequentavam aulas de natação desde cedo apresentavam vantagens em diferentes áreas do desenvolvimento quando comparadas a outras crianças da mesma idade.
A pesquisa foi analisada e aprofundada pela professora emérita Robyn Jorgensen, da Universidade de Camberra, na Austrália, em seu novo livro Why Young Children Should Learn to Swim (“Por que crianças pequenas devem aprender a nadar”, em tradução livre).
O projeto teve início após uma conversa entre Jorgensen e Laurie Lawrence, treinador olímpico de natação que integra os salões da fama da modalidade na Austrália e nos Estados Unidos.
Lawrence havia observado que crianças que aprendiam a nadar nos primeiros anos de vida pareciam chegar à escola mais preparadas para as atividades de aprendizagem.
“Não existia nenhuma prova formal que sustentasse essa observação, mas era algo que Laurie sentia que ele, e muitos outros profissionais do setor da natação, haviam percebido”, explicou Jorgensen.
Crianças podem apresentar desenvolvimento até 18 meses à frente
Um dos principais resultados da pesquisa está relacionado ao desenvolvimento de habilidades fundamentais para o início da vida escolar.
Segundo o estudo, crianças menores de cinco anos que participavam de aulas de natação apresentavam resultados entre cinco e 18 meses à frente dos marcos de desenvolvimento esperados para a idade em determinadas habilidades.
Entre as áreas avaliadas estavam a alfabetização, as noções básicas de matemática e a capacidade de compreender e seguir instruções.
Os pesquisadores observaram essas diferenças mesmo depois de considerar a origem socioeconômica das crianças.
Jorgensen ressaltou, no entanto, que os resultados não significam que crianças que aprendem a nadar sejam naturalmente mais inteligentes.
A pesquisadora explicou que as aulas de natação estimulam competências que também podem ser utilizadas em outros ambientes, incluindo a sala de aula.
Durante as atividades, as crianças precisam prestar atenção às orientações, compreender sequências de movimentos, desenvolver coordenação motora e interagir com professores e colegas.
Essas experiências podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades importantes para a aprendizagem e para a convivência social.
Benefícios também envolvem linguagem e comportamento
Embora muitos pais procurem aulas de natação principalmente para reduzir o risco de afogamento, os resultados apontam possíveis benefícios adicionais.
A pesquisa identificou vantagens relacionadas ao desenvolvimento cognitivo, às competências linguísticas, à socialização e à regulação emocional.
“É razoável afirmar que a natação prepara as crianças para a vida escolar, especialmente para os primeiros anos e para a transição para a escola”, afirmou Jorgensen.
Os resultados sugerem que a prática pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades necessárias à adaptação ao ambiente escolar.
Entretanto, por se tratar de uma pesquisa que identificou associações entre a participação nas aulas e os indicadores de desenvolvimento, os resultados não demonstram, por si só, que a natação seja a causa direta de todas as diferenças observadas.
Pesquisadora defende acesso a aulas de natação
Diante dos resultados, Jorgensen também defendeu a criação de políticas públicas que ampliem o acesso de crianças pequenas às aulas de natação.
A professora destacou que governos de diferentes países investem bilhões em iniciativas destinadas a reduzir as desigualdades de aprendizagem, especialmente nos primeiros anos escolares.
“Este estudo demonstra que, mesmo levando em conta o nível socioeconômico, as crianças que participam de aulas de qualidade apresentam melhores resultados do que a população em geral. Seria lógico que o governo considerasse investir na oferta ou no subsídio de aulas de natação para crianças pequenas, destinadas a famílias que, de outra forma, ficariam excluídas”, afirmou.
Para a pesquisadora, o custo das aulas pode representar uma barreira para famílias de baixa renda, o que reforça a importância de programas de incentivo.
“Investir em aulas de natação de qualidade seria uma decisão politicamente acertada. O custo das aulas pode ser bastante elevado, mas, se fossem criadas políticas para oferecer subsídios aos pais ou para desenvolver programas de natação destinados a famílias desfavorecidas, haveria um grande potencial para levar recursos a esses grupos de alunos”, concluiu.
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Rafael Damas | 13:30 – 28/10/2026
Fonte: Notícias Ao Minuto


