Frente de Evangélicos critica fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA
- 30 de outubro de 2026
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Entidade questiona coerência entre a fé cristã declarada pelo senador e sua conduta diante de determinações judiciais e investigações.
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito criticou a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil em direção aos Estados Unidos. Em nota divulgada na terça-feira (27), a organização classificou a atitude como uma “covarde ação” e questionou o uso da identidade religiosa para justificar comportamentos que, em sua avaliação, contrariam o compromisso com a Justiça.
Segundo reportagem de Cristiano Stefenoni, publicada pelo portal Comunhão, a entidade manifestou preocupação com a viagem do parlamentar em meio a questionamentos judiciais e investigações. A Frente também destacou a necessidade de coerência entre os princípios cristãos professados publicamente e as atitudes de quem exerce uma função política.
No posicionamento, a organização reconheceu que Flávio Bolsonaro tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Entretanto, ressaltou que esses direitos não eliminam a obrigação de cumprir determinações judiciais e prestar esclarecimentos às autoridades competentes.
A entidade também afirmou que a religião não deve ser utilizada como justificativa para descumprir decisões judiciais ou colocar alguém acima da lei.
Entidade cita passagem bíblica
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito questionou a coerência entre a fé evangélica declarada pelo senador e sua conduta. Para fundamentar a reflexão, citou o versículo de Provérbios 28:13:
“Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia”.
Na avaliação da organização, a fé cristã deve estar associada à verdade, à justiça e à responsabilidade. O grupo também defendeu o respeito às instituições e às regras que se aplicam a todos os cidadãos, independentemente de posição política ou religiosa.
A nota afirma: “Nenhuma identidade religiosa pode servir de proteção contra investigações, justificar o descumprimento de decisões judiciais ou colocar alguém acima da lei”.
A entidade acrescentou que concordar com a saída do senador nas circunstâncias descritas significa, em sua avaliação, aceitar que as leis não precisam ser cumpridas.
Investigações e determinação judicial
O episódio ocorreu em meio a investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme informações mencionadas pela Comunhão, Flávio Bolsonaro é investigado em procedimentos que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, entre outros fatos. Um dos inquéritos envolve o senador e o advogado Willer Tomaz, com suspeitas relacionadas a plataformas de apostas.
As investigações não representam uma condenação, e o parlamentar tem direito à defesa e à presunção de inocência.
A viagem também ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a entrega dos passaportes do senador e proibiu sua saída do país. Segundo informações da Agência Brasil reproduzidas pela Comunhão, a Polícia Federal informou que investigava as circunstâncias da saída e que não havia encontrado registro da passagem do parlamentar por postos oficiais de controle migratório.
Ao final da manifestação, a Frente reafirmou seu compromisso com a Constituição, o Estado Democrático de Direito e a igualdade de todos perante a Justiça. A organização defendeu uma sociedade sem privilégios, perseguições ou impunidade.
Confira a nota na íntegra
“A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito manifesta seu repúdio diante da covarde ação do senador Flávio Bolsonaro, que fugiu do Brasil em direção aos Estados Unidos, em meio a questionamentos judiciais e à determinação de entrega de seus passaportes.
Flávio Bolsonaro é alvo de investigações por suspeitas de lavagem de dinheiro. Tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência, mas também o dever de cumprir as determinações judiciais e prestar esclarecimentos às autoridades competentes.
O senador se apresenta publicamente como evangélico, embora suas atitudes suscitem questionamentos sobre a coerência entre sua conduta e os princípios cristãos que afirma professar.
A Bíblia nos ensina: ‘Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.’ {Provérbios 28:13}.
A fé cristã exige compromisso com a verdade, a justiça e a responsabilidade. Nenhuma identidade religiosa pode servir de proteção contra investigações, justificar o descumprimento de decisões judiciais ou colocar alguém acima da lei. Concordar com a fuga do senador investigado é concordar com um crime covarde e aceitar que as leis não precisam ser cumpridas.
Reafirmamos nosso compromisso com a Constituição, o Estado Democrático de Direito e a igualdade de todos perante a Justiça, sem privilégios, perseguições ou impunidade”.
Fonte: Comunhão, reportagem de Cristiano Stefenoni
Fonte: Folha Gospel


