Polícia Federal faz buscas em endereços ligados ao pastor Márcio Poncio
- 30 de outubro de 2026
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Nona fase da Operação Unha e Carne cumpriu quatro mandados no Rio e apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
A Polícia Federal realizou, nesta quinta-feira (29), quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, durante a nona fase da Operação Unha e Carne. Entre os alvos estão o pastor e empresário Márcio Poncio e Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e utilização de pessoas físicas e jurídicas para dissimular a propriedade de bens e valores.
As buscas incluíram salas comerciais ligadas a Poncio, apontadas pelos investigadores como possíveis estruturas operacionais e administrativas do grupo, além de um imóvel residencial vinculado a Loyola. Os agentes procuraram documentos, dispositivos eletrônicos, registros contábeis e outros materiais que possam contribuir para o avanço das apurações.
Segundo a Polícia Federal, a nova etapa foi desencadeada após a análise de informações obtidas em fases anteriores, especialmente dados extraídos de um telefone celular apreendido com um dos investigados. O material teria revelado novos endereços, empresas e bens que podem estar relacionados à administração, à movimentação e à ocultação de recursos financeiros.
Investigação apura rede de patrimônio e uso de empresas
De acordo com as apurações, o grupo investigado teria formado uma rede patrimonial composta por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros formalmente desvinculados do núcleo investigado.
A suspeita é de que parte desses bens, embora registrada em nome de outras pessoas, permanecesse sob a administração de integrantes da organização criminosa, dificultando a identificação de seus verdadeiros responsáveis.
A Polícia Federal também identificou indícios de uso recorrente de dinheiro em espécie e de movimentações financeiras sem rastreabilidade considerada compatível. As investigações apontam ainda para a possível utilização de empresas brasileiras e estrangeiras, inclusive sediadas em jurisdições com tributação favorecida.
Outro aspecto investigado é o possível uso de entidades religiosas e holdings patrimoniais para desvincular formalmente a titularidade de bens de elevado valor econômico dos integrantes do grupo.
A operação busca reunir novos elementos para esclarecer como funcionaria essa estrutura financeira e patrimonial e verificar a eventual participação dos investigados nas possíveis irregularidades.
Márcio Poncio foi preso em julho
O pastor já havia sido preso em 2 de julho, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, a investigação apurava suspeitas relacionadas à atuação de organizações criminosas no Rio de Janeiro, incluindo possíveis conexões entre agentes públicos e integrantes do crime organizado.
Poucos dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, converteu a prisão preventiva de Poncio em prisão domiciliar humanitária, com a imposição de medidas cautelares. A decisão considerou questões de saúde apresentadas pela defesa, que informou que o pastor enfrenta, desde 2013, um quadro grave de retocolite ulcerativa, doença inflamatória crônica.
A concessão da prisão domiciliar não encerrou as investigações. Na nova fase, os agentes passaram a examinar informações e possíveis vínculos patrimoniais identificados a partir do material apreendido anteriormente.
Na quinta fase da operação, também foram alvos o contraventor Adilsinho, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. As apurações daquela etapa incluíram documentos e registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras.
Quem é Márcio Poncio
Além de pastor evangélico, Márcio Poncio é empresário do setor de tabaco. Sua atuação nesse mercado lhe rendeu o apelido de “pastor do cigarro”. Ele também ganhou notoriedade por sua presença nas redes sociais e por ser pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio.
Poncio está ligado à Igreja da Nuvem e se apresenta publicamente como líder religioso e empresário. Em 2022, disputou uma vaga de deputado federal pelo Rio de Janeiro, recebeu cerca de 33 mil votos e terminou como segundo suplente.
O nome do pastor voltou a aparecer nas investigações em julho, quando foi preso na quinta fase da Operação Unha e Carne. Agora, na nona etapa, endereços comerciais relacionados a ele estão entre os locais investigados pela Polícia Federal.
Sobrinho de Adilsinho também é alvo
Bernardo Coutinho Loyola, outro alvo da operação, é sobrinho de Adilsinho. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, ele é apontado nas apurações como gerente e possível sucessor do contraventor.
A investigação procura esclarecer possíveis conexões entre pessoas, empresas e bens relacionados ao grupo investigado. As suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial ainda estão sob apuração, e a realização de buscas não representa, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos alvos.
A CNN Brasil informou que tentava contato com as defesas dos investigados e que o espaço permanecia aberto para manifestações.
Folha Gospel com informações de CNN Brasil, Fuxico Gospel, O Dia, Extra online
Fonte: Folha Gospel



